No Dia Internacional da Mulher, celebramos não apenas as conquistas femininas, mas a coragem de todas aquelas que desafiam barreiras para serem quem realmente são. Louredir Lobato é um desses nomes que marcam a história da inclusão e da luta por direitos dentro da enfermagem.
Desde muito cedo, Louredir sabia que sua identidade transcendia o gênero que lhe foi atribuído ao nascer. Aos 13 anos, descobriu a alegria de se vestir como menina, e, com apenas 14, já se reconhecia como uma menina trans. O apoio incondicional de sua mãe foi um dos pilares que a fortaleceram para enfrentar os desafios que estavam por vir.
A enfermagem surgiu em sua vida por um momento de dor. Aos 17 anos, ao presenciar a morte da avó devido a um AVC, sentiu a vocação pulsar forte em seu coração. O atendimento do SAMU naquele dia não apenas tentou salvar uma vida, mas despertou nela o desejo de estar na linha de frente do cuidado, oferecendo conforto e esperança a outras famílias.
Sua trajetória na enfermagem não foi apenas sobre exercer a profissão, mas sobre abrir espaços e ampliar vozes. Com mais de uma década de dedicação ao curso técnico de enfermagem, ela trilhou caminhos de representação e luta. Tornou-se representante do Conselho Regional de Enfermagem (Coren) em Pinheiro, no Maranhão, e hoje ocupa o cargo de conselheira. Seu papel é histórico: é a primeira mulher trans a estar nessa posição, defendendo os direitos da categoria e a inclusão da diversidade no setor.
Louredir está prestes a realizar mais um sonho: este ano, se formará como enfermeira, um passo gigantesco em sua jornada de dedicação ao cuidado e à representação da comunidade trans dentro da saúde. Mais do que um diploma, essa conquista simboliza a resiliência, a superação e a esperança de um futuro mais igualitário para todos.
Neste 8 de março, ao celebrarmos o Dia da Mulher, também celebramos a força de Louredir e de tantas outras mulheres trans que enfrentam desafios diários para serem reconhecidas, respeitadas e valorizadas. Sua história nos lembra que a luta pela equidade de gênero deve ser ampla, inclusiva e, acima de tudo, humana.
Matéria: Stella Gonçalves/ Jornalista